Ele é co-autor de vários sucessos perenes da MPB. A lista é vasta: “Eu só quero um xodó”, “De volta pro aconchego”, “Gostoso demais”, “Isso aqui tá bom demais”, “Pedras que cantam”, “Quem me levará sou eu”, “Abri a porta”, “Tenho sede”, “Lamento sertanejo”, “Quando chega o verão”, “Tantas palavras”... e tantas outras.

Filho musical do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, parceiro e amigo de artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Nando Cordel, Anastácia, Fagner, Fausto Nilo e Abel Silva, ele é simplesmente Dominguinhos.


O cantor, compositor, instrumentista e sanfoneiro pernambucano concede entrevista aberta ao público, compartilhando sua história de vida e descrevendo sua trajetória artística, dentro do programa Nomes do Nordeste, nesta quarta-feira, 22, às 19 horas, no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – 2º andar – Centro – fone: (85) 3464.3108).

Com entrada franca, a entrevista integra, ainda, a programação da série Choro no Centro, que o CCBNB-Fortaleza realiza para comemorar – durante Abril inteiro – o Dia Nacional do Choro (23, quinta-feira), data em que também transcorre o aniversário de nascimento de Pixinguinha (1897-1973). No decorrer do mês, estão sendo apresentados dez shows gratuitos de chorinho com grupos cearenses jovens e veteranos.

 

História de vida e trajetória artística

José Domingos de Moraes, o Dominguinhos, nasceu na cidade serrana de Garanhuns, no estado de Pernambuco, Nordeste do Brasil, em 12 de fevereiro de 1941. Seu pai, mestre Chicão, foi um famoso tocador e afinador de foles de oito baixos. Hoje com 68 anos, Dominguinhos começou a tocar sanfona aos seis anos de idade, juntamente com mais dois irmãos, em feiras livres e portas de hotéis do interior daquele estado.

Com oito anos de idade, conheceu Luiz Gonzaga na porta de um hotel em que este se apresentava com o trio “Os Três Pinguins”, formado por ele e mais dois irmãos. Luiz Gonzaga acabou se tornando o seu padrinho artístico. Em 1954, mudou-se para o Rio de Janeiro, indo morar com o pai e com o irmão mais velho no município de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Nesta ocasião, recebeu do padrinho Luiz Gonzaga uma sanfona de presente.

Seu nome artístico foi sugestão do próprio Luiz Gonzaga, que considerou que o seu apelido de infância, Neném, não o ajudaria na trajetória artística. Com a sanfona ganha do próprio Gonzagão, passou a percorrer o interior do Rio de Janeiro na companhia dos irmãos, apresentando-se em circos e arrasta-pés.

Em 1957, aos 16 anos, fez sua primeira gravação, tocando sanfona num disco de Luiz Gonzaga, na música “Moça da feira”, de Armando Nunes e J. Portela. No mesmo ano, em viagem ao Espírito Santo, com Borborema e Miudinho, formou um trio, batizado de Trio Nordestino. Tomou contato com outros ritmos musicais e aprendeu a tocar samba e bolero.

Voltou ao Rio de Janeiro e formou um conjunto que passou a atuar em dancings, boates e inferninhos nas zonas da malandragem. Tocou na gafieira Cedo Feita, Churrascaria Gaúcha, boate Babalaica e Dancing Brasil. Em 1965, foi convidado por Pedro Sertanejo, então diretor da recém-inaugurada gravadora Cantagalo, para gravar um LP destinado ao público migrante nordestino e, com isso, voltou a tocar forrós e baiões.

Em 1967, fez parte de uma excursão de Luiz Gonzaga ao Nordeste, como sanfoneiro e motorista. Também fazia parte do grupo a cantora pernambucana Anastácia. Os dois iniciaram então uma carreira artística conjunta e um relacionamento amoroso, que os levou ao casamento.

Observado pelo empresário Guilherme Araújo tocando num show de Luiz Gonzaga, em 1972, foi convidado por ele a trabalhar com Gal Costa e Gilberto Gil. Viajou para a França com Gal, acompanhando a cantora baiana em apresentação no Midem, em Cannes. De retorno ao Brasil, participou do show “Índia”, da mesma cantora.

Posteriormente, trabalhou um ano e meio com Gilberto Gil, que gravou o maior sucesso de Dominguinhos, em parceria com Anastácia, “Eu só quero um xodó”, que conheceria em pouco tempo cerca de 20 regravações, inclusive algumas no exterior. Participou como instrumentista em inúmeros shows de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia.

Participou do primeiro disco gravado por Elba Ramalho, “Ave de prata”, em 1979. Em 1980, participou do II Festival Internacional de Jazz de São Paulo. Em 1981, participou, com destaque, do programa “Som Brasil”, na TV Globo.

Na década de 1980, suas composições “De volta pro aconchego” (gravada por Elba Ramalho) e “Isso aqui tá bom demais” (gravada por ele e Chico Buarque), ambas em parceria com Nando Cordel, foram incluídas na novela “Roque Santeiro”, da TV Globo, o que fez aumentar nacionalmente sua popularidade.

Em 1984, o cantor e compositor Chico Buarque gravou em seu disco “Chico Buarque” a canção “Tantas palavras”, parceria de Chico e Dominguinhos, que obteve grande sucesso. Em 1985, a composição “Esse mato, essa terra”, composta em parceria com a cantora, sua esposa, Maria de Guadalupe, foi incluída na trilha sonora do filme “Aventuras de um Paraíba”, de Marco Altenberg.

Em 1993, criou o Projeto Asa Branca, com patrocínio da Caixa Econômica Federal, destinado a levar shows de música popular para praças públicas de diversos estados brasileiros. Em 1997, lançou o CD “Dominguinhos e convidados cantam Luiz Gonzaga”, pela gravadora Velas (de Ivan Lins e Vitor Martins). No mesmo ano, compôs a trilha sonora do filme “O cangaceiro”, de Aníbal Massaini Neto.

Teve suas composições registradas por diferentes intérpretes, entre os quais Fagner, que gravou “Quem me levará sou eu”, e Maria Bethânia, que gravou “Lamento sertanejo”. Em 1999, lançou pela gravadora Velas o seu 41º disco, “Você vai ver o que é bom”, no qual interpreta, entre outras: “O riacho do imbuzêro”, letra inédita de Zé Dantas, dada a Dominguinhos pela viúva do compositor pernambucano; “Quem era tu”, parceria com Nando Cordel, que faz uma homenagem bem-humorada aos grupos “É o tchan” e “Terra Samba”; e “Prece a Luiz”, em parceria com Climério, uma homenagem a Luiz Gonzaga nos 10 anos de sua morte.

Em 50 anos de carreira, Dominguinhos recebeu seis Prêmios Sharp. Em 2000, lançou o seu 54º trabalho, gravado ao vivo durante dois shows no SESC Pompéia, em São Paulo, com destaque para “De volta pro aconchego”, “Gostoso demais” e “Isso aqui tá bom demais”, todas de sua autoria (em parceria com Nando Cordel), “Abri a porta” e “Forró do Dominguinhos”, estas em parceria com Gilberto Gil. O CD foi lançado com um show na casa de espetáculos Olimpo, no Rio de Janeiro. Em seguida, fez shows em São Paulo e realizou turnê pelo Nordeste.

Em 2001, foi o grande homenageado no 11º Festival de Inverno de Garanhuns, sua cidade natal, com um concerto sinfônico. No mesmo ano, participou do 1º Festival de Sanfona do Maranhão, juntamente com Waldonys, Sivuca, Renato Borghetti, o argentino Antonio Tarragô e os estadunidenses Geno Delafose e Mingo Saldival.

Em 2002, teve participação especial, com seu acordeom, no CD “Sertão”, gravado pelo cantor e compositor baiano Gereba, em comemoração aos 100 anos de lançamento do livro “Os Sertões”, de Euclides da Cunha.

No início de 2003, gravou com Sivuca e Oswaldinho do Acordeom um disco que registrou o encontro de três dos maiores sanfoneiros em atividade no País, produzido por José Milton, com repertório escolhido na hora e arranjos feitos no próprio estúdio, no qual aparecem composições como “Maria Fulô” e “Feira de Mangaio”, de Sivuca, além de muitas de autoria de Luiz Gonzaga, resultando numa homenagem natural ao Rei do Baião.

Ainda nesse ano, participou na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, do show comemorativo dos 45 anos do Trio Nordestino. Em 2004, apresentou-se fazendo dupla com Elba Ramalho, em temporada de shows no Canecão, também no Rio. O repertório contou com sucessos de carreira da cantora e do compositor, como “De volta pro aconchego”, parceria de Dominguinhos com Nando Cordel, além de levar ao palco surpresas como a canção “Xote de navegação”, de Dominguinhos e Chico Buarque.

Em 2005, a cantora Elba Ramalho lançou um CD que registrou a temporada de show no Canecão com o sanfoneiro, revivendo grandes obras deste que foram grandes sucessos em sua interpretação. No CD, Elba afirma ser Dominguinhos um dos maiores músicos do mundo, respaldada por muitos artistas como Gilberto Gil e Chico Buarque. No álbum, ela revive, entre outros, “De volta pro aconchego”, clássico de sua carreira.

Nesse mesmo ano, Dominguinhos participou, como atração consagrada, nos festejos juninos do circuito tradicional nesses eventos, que engloba cidades nordestinas como Caruaruc, Campina Grande e Recife.

Em 2006, após cinco anos sem lançar disco solo, lançou o CD “Conterrâneos”, com repertório que mescla inéditas, como “Vivendo a brincar”, “Cai fora”, “Oi que balanço bom” e regravações como “Acácia amarela”, parceria de Luiz Gonzaga com Orlando Silveira, a toada “Carece de explicação”, com Clodo Ferreira, “Tempo menino”, o coco “Gavião peneirador” e “Feito mandacaru”.

A faixa-título, “Conterrâneos”, conta com a participação da cantora Guadalupe. O disco, que traz capa de Elifas Andreato, conta também com a participação do sanfoneiro Waldonys, na quadrilha “Eita Paraíba”, de Chico Anysio e Sara Benchimol.

Também em 2007, a gravadora Biscoito Fino lançou o CD “Yamandu + Dominguinhos”, em que os dois instrumentistas tocam num dueto de violão e sanfona. No disco, cada um tocou sem se prender ao estilo do outro, resultando em um repertório bem diversificado que incluiu, entre outras, os choros “Perigoso”, “Chorando baixinho” e “Pedacinho do céu”, as nordestinas “Feira de Mangaio”, “Xote miudinho” e “Asa Branca”, e as sulistas “Bagualito”, “Prenda minha” e, ainda, “Estrada do sol” e “Wave”.

Em 2008, foi o grande homenageado nos Prêmios TIM e Multishow de Música. Na ocasião do show de entrega dos prêmios, apresentou diversos números em duetos. Em maio do mesmo ano, apresentou-se com Alceu Valença na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, dentro do projeto “Pé no mundo”, interpretando seus sucessos. Em junho do mesmo ano, foi atração do programa “Viola, minha viola”, apresentado por Inezita Barroso, na TV Cultura. Em fevereiro de 2009, foi homenageado no 10º Festival Jazz e Blues, realizado durante o carnaval em Fortaleza e Guaramiranga, cidade serrana cearense localizada no Maciço de Baturité.