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Nova operação da Polícia Federal em Alagoas, deflagrada nesta terça-feira, com a prisão de 13 suspeitos de desvios de recursos na Secretaria de Estado da Educação, deixa o governador Renan Filho numa situação delicada. No primeiro ano do segundo mandato, até agora sua gestão segue livre de escândalos que envolvam casos de corrupção. Ao menos pelo que se sabe publicamente, os cofres estaduais estariam protegidos de ações delinquentes. Certas denúncias não prosperaram.

A PF acaba de jogar uma sombra de suspeita sobre os métodos e procedimentos na pasta da Educação, que, como se sabe, é uma das mais robustas no quesito orçamentário. Historicamente esse é um dos setores em que episódios de fraude são noticiados com frequência assustadora. Diante das informações apresentadas pela PF, havia um forte esquema criminoso em andamento.

Como tudo na esfera pública tem um componente político, aqui também não é diferente. E esse é um dado que deve deixar o governador e seus homens de confiança em estado de alerta. Na guerra pelo poder, o governo é alvo de ataques e acusações que partem de variadas frentes. Nas páginas do que ainda resta da Gazeta, Renan Filho é tratado quase como um assaltante.

O governador também enfrenta a fúria da seita liderada por Jair Bolsonaro, o presidente-porcaria que não engole a oposição de governadores nordestinos. E por que digo isso? Ora, a gloriosa PF está nas mãos de Sérgio Moro, sob as ordens de uma turma que não vê limites para operar a máquina oficial contra adversários políticos. Não descarto que isso contamine a ação de hoje.

Renan Filho atraiu ainda mais ódio depois do último sábado, 7 de setembro, quando posou ao lado de uma bandeira com o slogan “Lula Livre”. Vocês viram a reação histérica da turma do capitão por essas bandas. Militantes bolsonarianos disfarçados de jornalistas viram na foto do governador o anúncio do fim do mundo. Para essa rapaziada, Renanzinho é um alvo a ser abatido.

Até o momento em que escrevo, não foram divulgados os nomes dos presos pela PF em Alagoas. Também não está muito claro como o esquema funcionava e nem qual a participação da cúpula da secretaria. Nas palavras dos delegados, até o momento não se pode acusar o secretário Luciano Barbosa de envolvimento no caso. No máximo, seria responsabilizado por negligência.

Fato é que uma operação da Polícia Federal contra suposta formação de quadrilha para desvio de verbas terá sempre desdobramentos graves. A sequência das investigações vai mostrar afinal o tamanho do componente político e seu potencial de estrago para os planos do governador. Sim, 2022 ainda está longe – mas está perto também. Uma bala de prata não depende de calendário.