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Já disse em outras colunas e reitero: acredito na imprensa livre e sou contra qualquer tipo de censura prévia. Aquele que, no exercício do jornalismo, quem publicar mentiras que responda pelos seus atos dentro da legislação vigente e da proporcionalidade posta pelo Estado Democrático de Direito. Para além disso, a pena – uma das piores para o jornalista – é a perda da credibilidade. Dito isso, sempre defendi – e faço isso na prática – que o jornalista possa assumir suas convicções de mundo, suas visões e crenças nas análises que escreva. É a relação direta com o leitor.

O que acontece é que, muitas vezes, a isenção é apenas um “Cavalo de Tróia” por onde passam as convicções ideológicas ou políticas que se quer esconder. Então, o pressuposto da honestidade intelectual para com o leitor exige – a meu ver – que o articulista deixe clara a sua posição. Qualquer um que me leia sabe que sou cristão e que adoto princípios conservadores (no sentido filosófico) em minha vida e na escrita. Todavia, gosto de uma máxima cujo autor não recordo, mas que resume bem o que penso: “todo mundo tem direito às suas opiniões, mas não aos seus fatos”.

O problema se dá quando – em nome de uma ideologia ou de convicções políticas A ou B – os fatos são abandonados para prevalecer os interesses inconfessos.

Eis o que ocorreu – por exemplo – com o site G1, do grupo Globo, ao fazer uma matéria sobre uma criança que participou do Desfile do Sete de Setembro ao lado do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL). O menino expressou seu encantamento com o dia e com o fato de ter participado do evento junto às autoridades e à autoridade máxima da República. Este sentimento estaria presente nele qualquer que fosse o presidente, pouco importando se direita ou esquerda. Afinal, era uma criança diante daquele mundo festivo, com símbolos, pompa e circunstâncias. Quem já foi criança sabe o que é isso. Brilha aos olhos da infância e nada tem a ver com política.

Mas, um discurso revela o quanto alguns se deixam tomar pelo ódio, pela intolerância e por uma visão meramente militante. Um comentário na notícia – feito pelo próprio G1 – chama o menino de “moleque imbecil” e manda ele “se alfabetizar”. O Portal assumiu o erro e tentou se desculpar, dizendo que vai apurar o ocorrido. Porém, não foi – em nota – capaz de fazer o óbvio: se desculpar com o garoto e externar que não compartilha da opinião dada.

Diz apenas que a conta, na rede social, foi usada de forma indevida. Ora, disso ninguém tem dúvida. É um fato. Foi sim usada de forma indevida. É fácil até de se presumir o que houve: alguém (funcionário da empresa) quis comentar isso lá, faria em seu perfil pessoal, mas esqueceu de trocar a conta e acabou gerando a celeuma.

O G1 – ao contrário da nota publicada posteriormente – não deveria apenas “repudiar o uso da sua conta” e anunciar a investigação do fato. Deveria era repudiar a mensagem escrita, repudiar o ato da voz oficial do veículo atacar uma criança em função das paixões ideológicas que tem dominado o debate público ultimamente. O que se quis – por parte de quem fez o comentário – era atacar o presidente Jair Bolsonaro.

Ora, quem quiser criticar o presidente Bolsonaro que o faça de forma aberta e franca. Ele é um homem público e como qualquer político deve sim ser submetido ao escrutínio. O confronto de opiniões – nesse sentido – faz parte da democracia. Nunca escondi, por exemplo, que há pontos com os quais concordo com o chefe do Executivo e outros em que discordo. Por exemplo: discordei veementemente da nomeação de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República. Creio que o presidente erra politicamente na nomeação.

E passo a criticar ainda mais o presidente quando – depois de receber críticas de parcela do seu eleitorado – ele vai a uma “live” para pedir que pessoas apaguem essas críticas. Por qual razão? O presidente que explique o porque de sua escolha e tente convencer – com base nos argumentos – quais foram as suas razões para que o cidadão comum avalie e faça seu juízo de valor. Não cabe também a chantagem emocional de “se não houver o apoio, o PT volta”. Não devemos apoio incondicional a governo algum.

Agora, reconheço o que para mim são acertos da atual gestão, como as políticas econômicas que fizeram melhorar os indicadores macroeconômicos, a redução dos níveis insuportáveis de corrupção, as boas ações na infraestrutura, dentre outras pautas que julgo positiva.

Não é fácil isso diante do desastre que foi a matriz heterodoxa adotada pelos governos petistas que resultaram – no pior momento – dois anos consecutivos de queda no PIB. Não é pelo fato de eu ser de direita, dentro do espectro político, que não terei críticas ao presidente. Tenho sim. Creio, inclusive, que por falar de mais, muitas vezes Bolsonaro acaba por criar suas próprias crises, bem como acho uma bobagem esse lance do ministro Paulo Guedes sair fazendo coro sobre a “feiura” ou “beleza” da primeira-dama da França. Desnecessário. Só alimenta polêmica vazia diante de tanta coisa mais importante para se discutir nesse país.

Porém, isso não me faz perder o senso de proporcionalidade. No governo anterior, tínhamos o maior escândalo de corrupção que o mundo já viu. Em todo caso, cito isso para mostrar que a imprensa pode sim fazer o bom debate. O que não pode é sair agredindo as pessoas por conta de um viés ideológico previamente assumido. E a responsabilidade, no caso daquele menino, é sim do G1. Tivemos ali uma agressão gratuita, desnecessária, que resultou na exposição de uma criança que não tem maturidade suficiente para lidar com isso. Uma irresponsabilidade cometida porque se detesta a figura do presidente. Foi isso que foi exposto. A nota tímida do G1, sem se desculpar com o menino, diz mais do que se imagina...