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O deputado estadual Cabo Bebeto (foto) é a cara do bolsonarismo em Alagoas. Eleito no ano passado pelo PSL (a legenda que abrigou Jair Bolsonaro), o parlamentar defende tudo o que o “mito” dos retardados representa: reverencia a ditadura de 1964, despreza minorias, tem ódio da imprensa livre, reproduz o discurso da truculência, acha que tudo se resolve com porte de arma liberado. São os grandes princípios que orientam as palavras e as ações da “nova política”, a redenção do Brasil.

Essa turma, que em 2018 chegou ao poder pelo voto popular, agride reiteradamente os valores da civilização e, grande ironia, não está nem aí para o povão que fez tal escolha nas urnas. Mas escrevo isso após notícia que me chamou atenção para a Assembleia Legislativa. Resumindo: Bebeto organizou uma “vaquinha” pra pagar uma recompensa a quem der pistas sobre assaltantes.

Meliantes atacaram uma empresária de Arapiraca e, durante o assalto, deceparam dois dedos de uma das mãos da vítima. O caso gerou comoção e revolta, como não poderia deixar de ser. O episódio violento ocorreu no fim de julho e até agora não há pistas sobre o paradeiro dos acusados. Espera-se que a polícia faça o que tem de ser feito e prenda os marginais. E o Bebeto?

Então... Nosso mais novo representante da filosofia Prendo e Arrebento não tem paciência para esperar por formalidades – ele tem pressa na localização dos sujeitos. Por isso, Bebeto passou a sacolinha entre os colegas de parlamento e, numa primeira rodada, arrecadou 12 mil reais. Se você, leitor, tiver informação que leve à prisão dos acusados, ganhará o apurado nessa marmota.

A iniciativa dos valorosos deputados não tem nada de ilegal, é claro, e até parece algo elogiável, não é isso? Não é o que penso. Não existe lei contra tal invencionice, mas resta evidente que estamos diante do mais puro oportunismo politiqueiro. É demagogia das grossas. Para quantos outros casos do mundo policial, com criminosos foragidos, haverá vaquinhas na Assembleia?

A piada pronta: Bebeto é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública do parlamento alagoano. É um escracho! Esse cidadão de bem considera direitos humanos coisa de bandido, discurso de comunista que protege vagabundos – tudo igualzinho ao seu ídolo, o lixo que ocupa o Palácio do Planalto. “Bandido bom é bandido morto”, eis o lema do nobre deputado.

A comissão presidida por Bebeto vive fazendo reunião com policiais, delegados, agentes penitenciários etc. A prioridade é isso daí: batalhar por interesses corporativistas, afagar as categorias potencialmente eleitoras desse tipo de político. Repito: oportunismo e demagogia.

Para fechar, me ocorre que esse negócio de recompensa financeira lembra os filmes do Velho Oeste. Não me assustaria se, numa próxima vaquinha para pagar por informações sobre foragidos da lei, Bebeto e colegas propusessem o cartaz com a frase: procurado vivo ou morto.