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Uma Thurman volta ao mundo de Quentin Tarantino para interpretar "A Noiva", a assassina que deserta da organização de matadores lideradas pelo temido Bill, para casar e viver uma vida tranquila longe do passado de mortes. Entretanto, ao descobrir o paradeiro da ex-pupila e amante, Bill e seus comandados executam uma chacina na igreja e espancam "A Noiva", que sobrevive e acorda após quatro anos em coma para se vingar do grupo.

Dividido em dois volumes "Kill Bill" é o filme de Kung Fu de Tarantino, baseado numa história que o diretor e sua protagonista discutiram anos antes de forma despretensiosa numa mesa de bar. 
Desse conto sobre a mulher em busca de vingança surgiu o filme mais divertido de Tarantino, repleto de referências aos longas asiáticos de artes marciais, de Sonny Chiba e Gordon Liu, que interpretam dois personagens, à Bruce Lee.
O faroeste espaguete, outro sub-gênero amado por Quentin, também se faz presente na música e nos closes, a cada duelo travado pela heroína.

A primeira parte do filme é mais visual e menos verbal, focando nas lutas e sedimentando a estética proposta. Nesse volume inicial vemos o icônico macacão amarelo vestido por Uma, que faz link direto com a roupa usada por Bruce Lee em "Jogo da Morte" (1978). A homenagem está presente na cena mais marcante dessa primeira etapa de "Kill Bill", em que "A Noiva" luta contra o exército particular de O-Ren (Lucy Liu). O momento traz a tradicional violência gráfica do diretor embebida por litros e litros de sangue e membros decepados. A cena que normalmente causaria repulsa, é puro estilo.

Já no segundo capítulo da saga, o texto de Tarantino vem mais carregado com os diálogos espertos e debochados que atraem os admiradores do autor. O monólogo de Bill refletindo sobre a mitologia do Super-Homem e seu altar ego Clark Kent é ácido, perspicaz e sensacional. Sem pensar duas vezes, é minha cena favorita. Na verdade, todas as vezes que David Carradine preenche a tela rendem ótimos takes. 
Mas há de se destacar também o treinamento da protagonista no templo do Mestre Pai Mei (Sonny Chiba) e o embate com a mortal Elle Driver, interpretada pela musa dos anos 90, Darryl Hannah.
Após personagens pouco marcantes em "Jackie Brown" (1997), Tarantino voltou a fixar suas criações na cultura pop e Uma Thurman fez o papel de sua vida, ainda mais forte que "Mia Wallace", de "Pulp Fiction" (1994). Aqui, apesar de contar com coadjuvantes de primeira linha, o filme é dela e só dela, assim como "Kill Bill" é Tarantino no auge do domínio criativo, regendo uma orquestra formada por diversos gêneros, outrora marginalizados, e popularizando-os de forma magistral. Tanto é que mesmo 15 anos depois do lançamento do segundo volume, os fãs ainda nutrem esperanças pelo anúncio de "Kill Bill Vol. 3".

Confesso que faço parte do time dos sonhadores.

9.0

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