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A noite de São João se aproxima e a expectativa aumenta para a comemoração que é marcada por comidas típicas, muito forró, queima de fogos e das tradicionais fogueiras, que podem ocasionar graves acidentes, caso alguns cuidados básicos não sejam adotados. Para assegurar que medidas preventivas sejam seguidas na hora de soltar fogos de artifício, acender as fogueiras juninas ou preparar as guloseimas à base de milho, o Hospital Geral do Estado (HGE) promoveu uma ação educativa no sábado (15), na sede da Ong Visão Mundial, no bairro Levada, em Maceió.

A gestora do HGE, Marta Mesquita, afirma que grande parte dos acidentes que chegam ao Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) tem relação direta com o manuseio da comida, as mesmas que quando prontas deliciam toda a família. “O acidente pode acontecer quando é acesa a churrasqueira, ou quando se coloca o alimento para cozinhar. Mas vale reforçar que é principalmente no fogão da cozinha que a frequência de acidentes tem se mostrado maior. Como muitos alimentos são cozidos através de líquidos muito quentes, o risco de eles atingirem a pele também cresce na mesma proporção, sendo as crianças as mais envolvidas em queimaduras provocadas por escaldadura”, relatou.

Se o perigo é iminente dentro de casa, não se espera que seja menor nas ruas, quando as fogueiras são construídas na porta das casas e os fogos acesos sem prévio aviso. Foi longe do olhar zeloso de seus pais que a doceira Glauciane Alves de Oliveira, de 30 anos, perdeu sua mão esquerda, a visão do olho esquerdo e, por pouco, também não perdeu uma de suas pernas. É que por achar que a bomba falhou, ela foi até o artefato e recolheu, quando de repente explodiu.

“Meus dedos foram amputados ao mesmo instante da explosão. O fogo atingiu minha perna e olho esquerdos. Foi terrível! Era véspera de São João, eu tinha 14 anos e estava toda vestida a caráter. Eu amo as festas juninas! Mas depois desse dia a felicidade se transformou em trauma. Saia tanto sangue de mim que ninguém queria me conduzir para o hospital no carro. Meu pai teve que obrigar um motorista a me levar até a unidade de emergência, que logo me encaminhou para o Centro Cirúrgico”, recordou a doceira, que hoje é mãe de três filhos, os quais, segundo ela, não tem sua permissão para manusear fogos de artifício.

No dia do acidente, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não existia em Alagoas, uma vez que foi inaugurado somente no dia 16 de dezembro. Se esse acidente tivesse ocorrido este ano, Glauciane poderia dispor de uma das melhores frotas e profissionais qualificados do Brasil, preparados para realizar com agilidade o socorro. Nesse mesmo ano, o HGE não existia, sendo assim, a usuária também não pode encontrar a equipe multidisciplinar especializada do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).

“São exemplos dos avanços na Saúde que o Governo de Alagoas tem conquistado e dado continuidade nos últimos anos. Para a Sesau é um grande desafio conscientizar a população sobre os benefícios que o HGE proporciona aos alagoanos. A sociedade precisa considerar também que o HGE é uma unidade porta aberta, dia e noite, de referência em várias linhas de cuidado, com servidores qualificados e, principalmente, que muito mais vidas são salvas do que perdidas ou sequeladas. Sabemos que existem pontos para melhorar, por isso, também estamos investindo em novos hospitais, para dar fôlego ao HGE e fortalecer seu perfil assistencial”, declarou o titular da Sesau, Alexandre Ayres.

Cuidados – A queimadura deve ser sempre considerada uma ocorrência grave, que não está somente ligada à extensão, mas também à profundidade e ao local atingido. Edgleide Castro, médica do CTQ, adverte que, no momento que ocorre a queimadura, a região queimada seja colocada em água corrente imediatamente.

“Antes de se dirigir até o local especializado, é necessário interromper o processo de queimadura com água fria (não gelada) e buscar orientação profissional. Uma queimadura de terceiro grau, por exemplo, pode lesionar os tecidos nervosos, resultando na perda dos movimentos de um membro atingido”, explicou.

A médica acrescentou que, após a limpeza e resfriamento da região atingida, deve-se seguir direto para o centro de tratamento especializado, sem colocar sobre a queimadura nenhum produto caseiro ou outros sem indicação médica. Essa prática pode dificultar a avaliação e tratamento correto das lesões, além de aumentar o risco de infecção.