Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true

Jaciana Melquiades, empresária a abrir a primeira loja exclusivamente de bonecas negras, no Brasil.Mora em Rio de Janeiro, nasceu em Belford Roxo. A dona  da loja  "Era uma vez o mundo", escreve:


"O racismo sempre deixa a gente desprotegida. Sempre. E combatê-lo é uma tarefa que a gente não escolhe, apenas é engolida por ela. A armadura é compulsória.
Estar sempre pronta pra uma guerra é cansativo. Guerras cotidianas contra a sutileza, a palavra enviesada, o segurar de bolsas, o elogio escroto. Cansa. Nem vou citar a vulnerabilidade dos nossos corpos, nem contar nossos óbitos. Vou me ater às microviolencias cotidianas. Cansa.
As instituições são racistas: não adianta mudar de banco, de escola, de serviços de transporte, de academia. As instituições são criminosamente racistas por um detalhe importante: pessoas fazem as instituições.
Diariamente somos tragados por essas batalhas e por muito tempo eu escolhi fingir que elas não existiam: e ria da piada, suavizava o péssimo atendimento, mudava de banco. Mas faz tempo que isso deixou de acontecer, sobretudo porque se a gente engole isso todo dia, nosso corpo adoece.
Hoje fui pega na sutileza da dúvida sobre a propriedade da empresa que está no meu nome. Nem RG, documento da gerente, contrato social em mãos, nada disso elimina a pergunda (e a repetição da mesma pergunta por duas ou três vezes ) questionando o comprovado e documentado. .
Eu aprendi a lidar com isso: Hoje eu constranjo. Educadamente. Com a voz baixa. Sorrindo. E, pah! Dou nome aos fatos. Sorrindo, sempre bom sublinhar. Pronto: o racista fica na defensiva. E é isso... Porque é ele que precisa se explicar, não eu."