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Uma pesquisa coordenada pelo doutor em sociologia Cristiano Bodart busca apresentar o perfil do manifestante que foram aos atos em apoio à medidas do governo federal do presidente Jair Messias Bolsonaro (PSL), ocorrida no domingo, 26, em Maceió.

As manifestações ocorreram em vários cantos do país. Todavia, o trabalho realizado por Bodart e sua equipe colheu dados apenas no ato ocorrido na capital alagoana e com isso apresenta o que seria uma mostragem percentual daqueles que foram às ruas.

O trabalho contou com a participação de oito pesquisadores que aplicaram um questionário a 112 manifestantes. O público presente – conforme os organizadores do ato – foi de aproximadamente 15 mil pessoas. De acordo com a metodologia, as questões se dividiram em blocos, visando a distribuição dos presentes por gênero, faixa etária, estado civil, renda, ocupação profissional, escolaridade e etnia. No outro bloco, entravam perguntas que diziam respeito a temas sociais e políticos.

De acordo com os pesquisadores, a análise não foi contratada por nenhum grupo político ou de outra natureza, nem possui associação ideológica ou de grupo particular, sendo – portanto – um trabalho voluntário.

A pesquisa mostra que os manifestantes quando divididos por sexo são 59,62% de homens e 40,38% de mulheres. Há também uma diversificação em relação à faixa etária: 21% estão entre 50 e 59 anos; 24% entre 40 a 49 anos; 18% entre 30 a 39 anos; 15% entre 20 a 29 anos; 14% entre 60 e 74 anos e 8% entre 10 e 19 anos de idade.

O perfil por renda também mostra uma diversificação, com 21% dos entrevistados tendo ganhos salariais entre 2 mil a 3.999 reais. Outros 21% possuem renda acima de 4 mil e vão até 6.999 reais. 14% dos manifestantes estão entre rendas de R$ 1 mil a R$ 1.999. 13% possuem rendas maiores que R$ 13 mil e ouros 13% entre 10 mil e 12.999. 15% estão na faixa entre R$ 7 mil a 9.999 reais e 1% se configura sem renda. A moda da maioria fica na renda entre R$ 2 mil e R$ 7 mil, diante do perfil de serem pessoas que moram em residências com a média de 3,3 pessoas.

A maioria dos manifestantes pesquisados são casados: 60,58%. Os solteiros representam 29,81%. 6,73% são divorciados e 2,88% são viúvos. Em relação à escolaridade, 46,15% deles possuem o Ensino Superior completo. 16,35% possuem o Ensino Superior incompleto. 22,12% possuem o Ensino Médio completo. 3,85% possuem o Ensino Médio incompleto. 5,77% são mestres e ainda há uma faixa de 4,81% que são do Ensino Fundamental incompleto.

Em relação à etnia, 50% respondem como branco, 33,7% como pardo, 13,5% como negro, 1% se disse indígena e 1,9% respondeu outras etnias. Quanto à religiosidade, 50,1% é de católicos, 30,8% de evangélicos e 7,7% de espíritas. 5,8% se disse sem religião e 3,8% marcaram outras. Para 23,1% foi a primeira participação em uma manifestação pública.

Motivos

A pesquisa também relata o principal motivo de participação no ato. 39,4% respondeu que apoia Bolsonaro diante das oposições no Congresso que tem dificuldade as implantações das reformas, como a Previdência, por exemplo. 2,9% criticam o Supremo Tribunal Federal como principal motivo do ato. 3,8% acreditam em uma ação para derrubar o presidente do poder, 14% demonstrou a insatisfação com os deputados do Centrão como principal mote, 7,7% destacaram o apoio ao pacote anticrime como principal motivador, 2,9% destacaram a Lava Jato e 26,9% ressaltaram como motivo principal o apoio à Reforma da Previdência. 1,9% ressaltaram outros motivos.

De acordo ainda com as motivações, 79,8% dos manifestantes responderam que possuem muito interesse por política. E apenas 1,9% se disse não interessado. Desses, 91,3% acompanham notícias sobre política todos os dias. A pesquisa ainda mediu a satisfação em relação à democracia brasileira: 43,3% se dizem insatisfeitos enquanto 49% se dizem satisfeitos. 3,8% disse não ter opinião formada e 3,8% se mostra parcialmente satisfeito.

Opiniões

O estudo fez perguntas sobre as opiniões dos manifestantes sobre diversos assuntos. No quesito cotas para universidades públicas, 99% se mostrou contrária e 1% favorável. Sobre possibilidade de intervenção militar em caso de crise aprofundada, 43% é contra e 49% a favor, mas 3,8% não souberam opinar e 3,8% preferiram não responder.

Em relação à redução da maioridade penal, 99% é favorável e 1% é contra. Sobre a facilitação do porte de armas para o cidadão dentro de critérios objetivos, 87,5% é favorável e 8,7% é contra. 1,9% não possuem opinião e 1,9% preferiu não responder. Em relação ao contingenciamento de recursos, 91,3% se mostrou a favor, enquanto 3,8% é contrário. Há ainda as parcelas que não responderam ou não possuem opinião.

Foram medidos ainda o grau de confiança nos poderes constituídos. 89,4% não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF) e somente 2,9% dos presentes demonstraram confiança. Quanto ao Senado, o índice de desconfiança é o mesmo, mas só 1% dos protestantes dizem confiar. Quanto à Câmara de Deputados: 89,4% das pessoas desconfiam e apenas 5,8% confiam. Há os índices dos que não souberam ou não preferiram responder.

A pesquisa ainda traz outras variáveis por sexo, religião etc. O trabalho contou com os seguintes pesquisadores: Edsangela dos Santos, Elizandra Cristina Rodrigues da Silva, Fábio dos Santos, Gabriela Vilela Palmeira Ferreira, Grace Martins, Caio dos Santos Tavares e José Luciano Martins da Silva.