Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Os cartolas Rafael Tenório e Raimundo Tavares

Rafael Tenório está para o CSA de hoje assim como João Lyra estava para o CSA dos anos 1980. No meio daquela década, o usineiro milionário – agora falido – virou presidente do clube e despejou uma dinheirama para montar um grupo campeão. O investimento resultou em títulos estaduais, e o dirigente se credenciou a uma trajetória política. Quando o empresário pulou fora, o aperto financeiro voltou. Nos dias atuais, de novo o time é refém de um ricaço que também decidiu fazer carreira na política.

Depois de anunciar afastamento por 90 dias do clube, Tenório se arrependeu em 24 horas e desistiu do que havia anunciado. As motivações para esse teatro de quinta não estão claras. A princípio, o cartola teria ficado chateadíssimo com a repercussão da venda do mando de campo do jogo com o Flamengo, marcado para 12 de junho. Com razão, torcedores se sentem traídos, insultados mesmo, com a decisão do CSA. Além disso, a iniciativa foi bombardeada na imprensa nacional.

Tenório é um desses tipos que não toleram a divergência. Se a coisa não anda como ele quer, não contem com sua contribuição pra nada. Só aceitou entrar na eleição para presidente do time na condição de candidato único. Ou seja, não foi eleito, foi aclamado. Com a força do dinheiro, impôs seu nome e, uma vez empossado, não tem pra ninguém. Bastou a onda de críticas no caso do mando de campo pra ele dar chilique e ameaçar abandonar o barco. É o padrão do grande gestor.

O que me chamou atenção no anúncio do recuo sobre o tal afastamento foi a “arte” divulgada pelos cartolas. Com uma foto na qual aparecem Tenório e Raimundo Tavares, diretor de alguma coisa por lá, temos a seguinte prosa: Seguimos juntos, Nação. Torcedor azulino acima de tudo. CSA acima de todos. Sem surpresa, estamos diante de uma cartolagem que reverencia o bolsonarismo.

No ano passado, o presidente do CSA esculachou um jornalista do UOL porque foi chamado de “político”. É que o empresário tenta vender o peixe de uma gestão profissional, sem qualquer laço com o mundo da política. Mas isso é uma lenda. Ele é suplente do senador Renan Calheiros, e outros dirigentes, como o citado Tavares, além de Omar Coelho, também atuam sim como políticos.

Deixo claro que não estou “acusando” ninguém pelo simples fato de atuar no ramo da política partidária. Quem faz isso agora, aliás, são justamente os fanáticos do bolsonarismo – o que significa sabotar as instituições. Estranho é o sujeito tentar esconder algo que é do conhecimento universal. Para quem diz rejeitar a “politicagem”, não combina recorrer ao lixo do slogan do Bozo.

Fechando esta resenha, lembro ao torcedor do CSA que não será apenas o Flamengo que não virá a Alagoas pelo Brasileirão. Os cartolas do Azulão já sinalizaram que o mando de campo com o Corinthians também será vendido. A prática é uma vergonha no futebol brasileiro. Mas, como o que importa é encher os cofres, dane-se o jogo limpo. Se houver protesto, Tenório pega o boné e cai fora.