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E acabou. Depois de 73 episódios e muitas reviravoltas a Guerra dos Tronos foi finalmente concluída. 

O derradeiro capítulo, dirigido pelos produtos David Benioff e D. B. Weiss, inicia mostrando o estrago causado pelo ataque impiedoso de Daenerys a Porto Real. Em meios aos escombros Tyrion caminha a procura dos irmãos soterrados pela destruição. Jon assiste impotente a mais uma execução de prisioneiros sob às ordens de sua Rainha e logo em seguida presencia o discurso inflamado de Daenerys, que promete continuar a lutar para "quebrar correntes".

É nesse ponto que o anão começa a tomar conta do episódio. O último Lannister deixa de reconhecer a Mãe dos Dragões como a salvação dos Sete Reinos e é levado como prisioneiro até a execução de sua sentença de morte. Em sua cela, a visita de Jon Snow permite um intenso diálogo sobre atitudes difíceis, porém necessárias.
Durante a conversa Snow reluta se voltar contra a nova Rainha, mesmo diante do massacre da cidade. Do lado de cá a indecisão de Jon abusa da paciência do espectador, que há alguns episódios espera um atitude mais firme do protagonista.
Esperávamos que o senso de justiça herdado do pai adotivo Ned Stark tivesse apitado bem antes de tantos estragos. Mas quiseram os roteiristas guardar o dilema de Jon até o encontro fatal com Daenerys. De fato, após um beijo apaixonado, por um segundo achei que o "herói " havia se corrompido, de acordo com a frase que pronunciara em conversa com Tyrion, momentos antes. "O amor impede o cumprimento do dever.".
Entretanto, o dever com o povo falou mais alto e Jon mais uma vez sacrifica seus próprios sonhos de felicidade para carregar o peso do mundo nas costas. Em seus braços  a Targaryen sucumbe antes mesmo de conseguir sentar no desejado trono de ferro. Seu corpo é levado por Drogon para longe, selando a última aparição do dragão.

Passado algum tempo, Tyrion é  conduzido por Verme Cinzento até um audiência com os membros das famílias mais importantes de Westeros. Naquele instante não apenas seu futuro será decidido, mas também o novo Rei dos Sete Reinos e o destino do regicida Jon Snow.
É mais um momento para honrar a trajetória do pequeno Lannister. Conhecido por sua retórica e articulação, Tyrion entende a melhor forma de quebrar a roda que durante anos fomentou intrigas e traições em busca do poder. A sugestão do nome de Bran, O Quebrado, foi o grande xeque mate de um jogo que parecia não ter fim. A decisão só não foi unânime devido a postura firme de Sansa em não fazer o Norte se curvar novamente para outro rei. Assim, o Norte ganhou uma regalia inexplicavelmente não estendida, nem questionada pelos outros reinos.
Quanto a Jon, a Patrulha da Noite foi a opção que o novo Rei e sua Mão, Tyrion, encontraram para não desagradar os Imaculados(!!!).

Bem, vamos às considerações.

Eu sei que dificilmente uma série dessa magnitude, com tantos finais possíveis, iria agradar toda a sua audiência.
Ao meu ver, a vida de Daenerys chegou ao fim pelas mãos da única pessoa que ela permitiria chegar próximo de seu coração e ao mesmo tempo capaz de tamanho sacrifício. Mas senti falta de uma conversa mais longa, em que Jon finalmente pudesse transpor revolta e fúria contra os atos de sua amada.
A escolha de Bran para o trono também não me incomodou e a justificativa de Tyrion me convenceu.
Porém, e sempre há um porém, ver o conselho formado pelas grandes famílias dos Sete Reinos decidir o futuro do homem responsável pela salvação de Westeros de forma a não desagradar o exército de Imaculados foi surreal com o espectador e injusta com o personagem. Não me entendam mal. O desfecho do personagem e sua volta para comandar os selvagens para além da Muralha faz todo o sentido com o jovem que nunca se sentiu a vontade naquelas terras de Lordes e Reis. 
Mas esse deveria ser um movimento espontâneo. Nunca imposto por aqueles que lhe deviam gratidão. 
Como aceitar as desculpas de Sansa, que foi irredutível sobre a soberania do Norte, mas permitiu a condenação do irmão a viver a vida em exílio na Patrulha da Noite?
Sor Davos, Bran, Sam, Arya, Lorde do Vale, seu tio Tully, Brienne. Todos sabiam da jornada de Jon e ainda assim escolheram temer um exército de Imaculados ao invés de defende-lo.
Difícil compreender. Certamente outros pontos serão motivos de discussão, mas tentei tocar nos mais decisivos.

Sem dúvida alguma "Game of Thrones" é um dos grandes shows que a televisão já produziu. Não defino a série por erros e acertos, mas sim por escolhas. Foram essas escolhas polêmicas e difíceis que surpreenderam, cativaram, quebraram fórmulas e construíram outras. A escolha de decapitar o protagonista ao fim da primeira temporada, fazer de um casamento um adeus ou transformar uma libertadora em uma escrava da própria ambição. Escolhas que amamos e desgostamos, mas acima de tudo escolhas.
Por isso, o melhor é nos desprendermos das idealizações projetadas em tela, pois a decepção é vizinha de uma expectativa não correspondida.

É sempre uma questão...de escolha.

Episódio Final: 6.0
Série Completa: 9.0

*Disponível nos canais HBO