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Quem nunca olhou as redes sociais dos amigos ou celebridades e teve uma pontinha de inveja? Ou desejou ter “aquela vida” perfeita, de viagens, baladas, almoços e jantares maravilhosos e outros registros dignos de uma pessoa bem sucedida e feliz. Mas será que tudo aquilo faz parte do dia-a-dia daquela pessoa? O que está por trás de cada registro? Pois é, esse tipo de questionamento nem sempre é feito e faz com que algumas pessoas acreditem levar uma vida “normal demais” – em comparação a eterna felicidade virtual dos outros - provocando um descontentamento ou até tristeza, já que o cotidiano não rende tantas “curtidas”.

Uma vez que as redes sociais que invadiram a vida das pessoas, elas podem estar contribuindo, indiretamente, para a criação de uma geração “obrigada a ser feliz”. A psicóloga Denyse Moura faz o alerta: “Lidar bem com a frustração é uma aprendizagem que se deve levar muito a sério. Através do mundo idealizado o sujeito sonha com um tipo de status e quando volta para a sua realidade confere a enorme diferença e se frustra., porém se tem uma boa formação da personalidade, haverá o sofrimento superável, caso contrário, poderá desenvolver transtornos de conduta na infância e adolescência e transtorno de personalidade quando na idade adulta”.

Segundo Denyse, o mundo idealizado no “universo paralelo” das redes sociais dá ao sujeito uma falsa sensação de valorização pessoal e profissional, trazendo para ele, uma confusão entre o real (cheio de alegrias e tristezas; aplausos e vaias; luz e sombras...) e o idealizado com apenas o bom e o belo. “Diante de tanta ‘perfeição’ a pessoa se projeta numa vida que não é a sua, a virtual, e com isto muitas vezes se recusa a voltar a viver a real que lhe parece desinteressante, podendo causar transtornos diversos”, reforçou a psicóloga.

É normal estar triste

O sentimento de  tristeza faz parte do ciclo da vida e não devemos atribuir a ela uma “importância” maior do que possui. Uma nota baixa, um amor não correspondido, uma saída negada, uma promoção não alcançada, enfim, situações que a maioria das pessoas enfrentam e fazem parte do crescimento e amadurecimento como ser humano, devem sim também ser encaradas com naturalidade.

“O tempero que a pessoa coloca nos sentimentos depende em muito do tipo de personalidade que possui, da formulação dos conceitos de vida que alinhou durante seu desenvolvimento e das experiências confirmatórias ou não que vivenciou” afirmou Denyse, acrescentando que,  “um sujeito com uma personalidade introvertida, que se ‘esconde’ atrás de um perfil falso na internet, por exemplo, diminui em muito a chance de se mostrar para o mundo como ele realmente é e com isso, vive uma estória criada a partir de seus medos e desejos, fazendo da internet uma zona de conforto protetora”.

Para ela, encarar as limitações emocionais e a tristeza com naturalidade é essencial uma vez que,  não é possível mudar o estado de espírito na mesma velocidade que se altera o status nas redes sociais: “A velocidade das mudanças está diretamente ligada às resistências que se vão elaborando durante a vida. Muitas vezes o sujeito diz querer modificar um comportamento X , mas está tão acostumado a ele que cognitivamente não consegue se liberar daquele conceito e consequentemente adia ou dificulta a mudança comportamental, transferindo a responsabilidade do processo ao acaso, a Deus, ao mundo, as outras pessoas. Encarar as tristezas  precisa ser entendido como uma situação natural a ser superada, onde se reúne todo o embasamento de vida e, com parcimônia, transpor”, frisou.

Diálogo

A funcionária pública Adriana Macedo (nome fictício, a pedido da entrevistada)  relatou que seu filho, que ingressou no Ensino Superior há pouco tempo passou por um momento desagradável ao receber uma nota baixa na primeira avaliação. “Ele me enviou mensagem no celular falando que estava arrasado, com vontade até de chorar porque havia recebido uma nota baixa”, comentou a mãe do estudante que, como todos de sua geração, vive conectado.

“O mais preocupante é que essa cobrança não parte de mim, mas dele mesmo, que fez a comparação ao me contar que outros colegas se saíram melhor. Nesse momento parei, sentei com ele e tive que ter uma conversa séria sobre o que estava sentindo, que era normal estar triste, mas não era o fim do mundo e sim o começo de uma outra realidade à qual ele iria se adaptar”, relatou Adriana.

Denyse Moura orientou que, caso o sentimento de tristeza perdure, a melhor opção será sempre procurar ajuda de um profissional, que é quem tem a capacidade de fazer uma avaliação e a proposição terapêutica.

Diferenças entre tristeza e depressão

Muito tem se falado e debatido sobre a depressão, porém é preciso, antes de fazer qualquer comentário identificar as diferenças entre os dois casos. A psicóloga explica que a depressão é uma doença ou transtorno do humor, encontrada no CID 10 - Código Internacional de Doenças.

“Dentre os diversos sintomas, encontramos nas pessoas com depressão o rebaixamento acentuado do humor, insônia, inapetência, desmotivação sexual, diminuição da concentração, da atividade laborativa, perda de interesse pela vida e o que houver nela, diminuição da autoestima e da autoconfiança, desvalor, desamor e desatenção, além de lentidão psicomotora, agitação, pode acontecer episódios de taquipsiquia (transtorno da velocidade de pensamento), entre outros comportamentos. Já a  tristeza comum (não patológica) é tão somente um estado passageiro de rebaixamento do humor por motivo conhecido”, concluiu Denyse Moura.

Na vida real, sem filtros, é natural ficar, às vezes, desanimado, triste, preocupado e ansioso. O que não é natural é achar que tais sentimentos, inerentes a todos os seres humanos, são exclusivos de quem vive além do online.