Maciel Rufino/Cada Minuto Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Mãe enfrenta deficiência da filha e dá exemplo de amor

A alagoana e vereadora de Pilar, Joeli Lopes, tem 36 anos, mas “nasceu novamente” quando se tornou mãe aos 30 anos. Assim como toda mãe, Joeli planejou como seria o quarto do bebê, sonhou com o rosto da criança e, ao descobrir que era uma menina, imaginava com quem ela iria pareceria ao nascer. Luiza Lopes veio ao mundo em novembro de 2012, mas até então os pais não sabiam que ela tinha lisencefalia (que significa cérebro liso).

“Eu não sabia que a Luiza ia nascer com alguma deficiência. A gestação foi normal e eu como toda mãe de primeira viagem idealizava sobre o que a Luiza iria fazer”, contou Joeli.

Segundo a vereadora, quando a filha nasceu ela notou que a criança tinha alguns movimentos estranhos. Mas como era mãe de primeira viagem, não imaginava que se tratava de algo mais grave.

Quando Luiza completou três meses, foi levada a um hospital em São Paulo após convulsionar várias vezes. Foi quando Joeli e o esposo receberam o diagnóstico que Luiza tinha lisencefalia e síndrome de lennox-gastaut (síndrome epilética) que causa convulsão.

"Descobrimos que ela tinha a síndrome e fomos a São Paulo para que ela fizesse uns exames. Ela começou a fazer uns exames, e os médicos não deixaram ela sair do hospital. Com três meses ela convulsionava muito, e quando foi fazer a ressonância, senti que ela não voltaria a mesma”, comentou.

Quando os médicos deram o diagnóstico, Joeli disse que sentiu o mundo desabar, e que os planos que tinha feito para ela e para a família afundaram. 

“Eu vivi um luto naquele momento e cheguei ao fundo do poço. Fui no quarto, olhei para ela e senti que ela estava ali, que precisava de mim. Dei a volta por cima por isso”, contou.

Mesmo com todas as dificuldades, crises e idas e vindas de hospitais, Joeli conseguiu enxergar na deficiência da filha uma oportunidade de descobrir a missão de ser mãe.

“A partir daquele momento não comecei a enxergar a Luiza com lisencefalia, mas comecei a enxergar a Luiza. Isso me ajudou na minha rotina com ela. Eu vejo muito mais a minha filha do que a lesão”, enfatizou.

Joeli diz que as pessoas enxergam a filha dela como uma criança comprometida. Mas, ela tenta mostrar para as pessoas a criança feliz que ela é.

“Ela tem uma personalidade forte, é engraçada, tem o poder de transformar e tem o poder de olhar nos olhos da pessoa. Ela é uma criança bem esperta”, explicou Lopes.

Com uma rotina intensa dividida entre o trabalho e tarefas diárias, ela busca apoio nos familiares, esposo, médicos e na babá. Todos ajudam no dia a dia, já que a filha necessita de cuidados especiais.

“Precisamos controlar a alimentação dela, levá-la ao médico, controlar a urina, o sono e as crises que ela tem”, explicou.

Para Joeli, ela vive um milagre diário todos os dias. “Tem dias que minha filha dorme o dia inteiro e entra em coma. Mas, eu aprendi a enxergar milagres diários quando ela acorda, por exemplo e a rotina foi ficando mais fácil”, disse.

Mesmo com a rotina que requer cuidado e a entrega diária, Joeli não deixou de ser grata por tudo que tem e garante que a rotina não cansa já que faz tudo com amor.

“Quando estou na função de mãe estou fazendo o que tenho de melhor: ser mãe dela. Às vezes eu falo pra ela: filha, eu estou tentando, sei que vou errar, e que errar faz parte; mas ela me ensina fazer o certo. Quando tento me desesperar, ela me passa calmaria, o olhar dela e diz: mãe, vai, você consegue”, afirmou Lopes.

Luiza possui algumas dificuldades: não fala e não anda, mas é no olhar da menina de apenas seis anos que a mãe encontra forças para continuar lutando por ela.

“Ser mãe da Luiza é ter a certeza que estou fazendo tudo que nasci pra fazer. É você se completar como ser humano e como pessoa. Talvez essa não seja a minha missão, mas eu não tenho dúvidas que a missão dela era me tornar quem sou hoje”.

Sobre ser mãe de uma criança especial, a vereadora afirma que não faz da filha uma menina diferente, mas que, para ter a Luiza perto dela “é preciso lutar sempre, já que o tempo vale ouro”, finalizou.