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Bruno Toledo

Deputado estadual 

 

Como deputado estadual, no segundo mandato, sempre me pautei pelo pensamento liberal e pela importância de valores morais sólidos, que – a meu ver – são a base para o progresso. Nessa caminhada, encontramos referências para o exercício do mandato e para que a atividade política possa realmente resultar em algo produtivo para o bem comum.

Esta é uma das razões pelas quais abracei algumas bandeiras que me são caras: a defesa das liberdades individuais, a desburocratização, a geração de emprego e renda com o fortalecimento do setor produtivo, que o Estado deixe de se comportar com uma babá do cidadão, que não sejamos sufocados por tantos impostos e que o poder seja exercido de forma descentralizada para que não caiamos em tiranias daqueles que se acham mais iluminados que os demais.

Dentre as referências para pensar como penso, está o alagoano Aureliano Candido Tavares Bastos. Há 180 anos nascia – em Alagoas, mais especificamente na cidade histórica de Marechal Deodoro – o pensador que seria o norte do pensamento federalista brasileiro. Dentre suas obras, a de maior referência é A Província.

Nela Bastos, fala da importância da descentralização e do respeito às diferenças regionais como motores do desenvolvimento. Claro, há muita coisa que soa datada, pois o Brasil que temos é outro. Mas a essência de seu pensamento permanece atual. Temos um país centralizado, onde todos os recursos acabam nas mãos da União, tornando Estados e municípios extremamente dependentes de projetos que – muitas vezes – desrespeitam diferenças e não enxergam potencialidades locais.

Era contra isso que Bastos lutava. Sempre em defesa da liberdade, ele enxergava o Brasil como um celeiro que poderia estar aberto ao mundo e lucrar com isso, conquistando desenvolvimento social, econômico e tecnológico. Nosso país tem sim essas características, mas acaba sendo sufocado pelas visões oligárquicas de poder que centraliza decisões e recursos.

Bastos teria lições a nos dar em tempos atuais. É lamentável que seu pensamento não tenha florescido em universidades e escolas, que não tenha gerado discussões. É preciso resgatar, urgentemente, a sua memória.

No início dessa década, o parlamento estadual republicou A Província. Uma homenagem merecida. Creio que podemos unir esforços na atual legislatura para repetir esse feito, em parceria até com outros poderes. Afinal, estamos diante de um dos maiores pensadores alagoanos que acabou sendo injustiçado pela História.

O compromisso de Bastos com a liberdade é inspirador. Foi pioneiro no abolicionismo e em outras causas urgentes do país de sua época e que, por incrível que pareça, seguem urgentes hoje, como a redução da máquina estatal.

Eis um trecho da obra de Bastos que deve nos servir de reflexão: “O que caracteriza o homem é o livre arbítrio e o sentimento da responsabilidade que lhe corresponde. Suprimi na moral a responsabilidade, e a História do mundo perde todo o interesse que aviventa a tragédia humana. Os heróis e os tiranos, a virtude e a perversidade, as nações que nos transmitiram o sagrado depósito da civilização e os civis que apodreceram no vício e nas trevas, não se poderiam mais distinguir, confundir-se-iam todos no sinistro domínio da fatalidade”.

Que ele nos sirva sempre de lição. Que, em futuro próximo, Tavares Bastos encontre lugar de destaque nas prateleiras de livrarias desse país.