7eac8dbc 48bb 4471 aa1c bff274125f6b Ronaldo Lessa

Em uma mensagem nas redes sociais (por vídeo), o ex-deputado federal Ronaldo Lessa (PDT) expôs as negociações de cargos com o governador Renan Filho (MDB) para que o partido fizesse parte da base aliada também nesse segundo mandato. A mensagem tem linhas e entrelinhas!

Nas falas de Lessa, é possível perceber uma certa insatisfação com o fato de não poder contemplar toda turma pedetista dentro do Palácio República dos Palmares. Assim, foi obrigado a dar satisfações ao que parecem ser cobranças de correligionários.

Motivo? Lessa perdeu a eleição. Com isso, passa a ter menos poder de barganha para ocupar espaços dentro da administração estadual diante do jogo da tal dita “governabilidade”. É que Renan Filho precisa recompor com a Assembleia Legislativa e com outros aliados que ganharam o processo eleitoral, evidentemente. É a chamada “articulação política”.

Isso levou Lessa a dar suas explicações, que assim se iniciaram: “Companheiros do PDT, quando nós conversamos com o governador eu estava deputado federal e o governador nos ofereceu naquela época a Sedetur (Turismo) e a ARSAL (Agência Reguladora dos Serviços Públicos).  Ficamos então com dois espaços. (...) Passou a eleição, nós ficamos na primeira suplência e o governador teve alguns momentos. No primeiro momento, ele queria que nós ficássemos lá (em Brasília) e iria conversar com os parlamentares para ver se faria algum ser secretário e eu pudesse continuar em Brasília, mas isso não foi possível”.

Segue o ex-deputado: “Ele, portanto, ofereceu a opção de algumas secretarias e eu escolhi a Agricultura (Lessa é secretário). O governador decidiu que fizéssemos uma migração do pessoal da Sedetur para a Secretaria da Agricultura”. O deputado federal destaca que a ARSAL deveria ser entregue ao Executivo, dentro dessa nova negociação.

“Nós deveríamos ter um espaço menor, mas compensaria a perda que a gente teria entre a Sedetur, que tinha 81 cargos, e a Agricultura que é bem menor. Isso foi nessa conversa conosco, e apesar das denúncias (envolvendo a ARSAL) que eram denúncias vazias. O que aconteceu foram pessoas contrariadas porque a nossa direção lá, do PDT, buscou caminhos mais modernos e mais eficientes, tirando os vícios que existiam. Dessa forma, então, o governador ficou claro de que não havia nenhum problema de ordem de improbidade, mas precisava de espaço para poder acomodar as novas forças que venceram a eleição e que nós não vencemos”, explica Ronaldo Lessa.

Bem, nessa colocação de Lessa há alguns pontos questionáveis: 1) se as denúncias contra o ex-presidente da ARSAL Laílson Gomes são vazias e fruto do combate que se teve a antigos vícios, é válido lembrar que esses antigos vícios são de uma gestão anterior do órgão, mas do próprio governo Renan Filho. Então, o que ocorria na ARSAL?; 2) se houve aspectos mais modernos e mais eficientes na ARSAL, por qual razão se teve a crise financeira pela qual a empresa passou no final do ano passado?; e 3) se há esses vícios e forças contrariadas (sem que se cite o nome) é obrigação – por motivo de transparência – que se denuncie quem são essas forças e quais esses vícios, afinal é o mesmo Executivo? Simples assim!

Mas, a preocupação do PDT é passar a borracha na sua participação passada no governo e iniciar uma nova, ainda que o espaço seja bem menor.

Após falar da situação da saída da ARSAL, Lessa dá algumas alfinetadas no governo – ainda que sem querer – buscando se esclarecer para seus correligionários: “O governo não nomeia ninguém. Nós estamos com a fiscalização sem ninguém na ARSAL, situação difícil. Fica difícil para nós. Nós vamos também ser responsabilizados pelas consequências. Então para agilizar, conversamos com Laílson e ele entregou uma carta de exoneração.”

E aí, Renan Filho? Ronaldo Lessa está dizendo que é culpa do atual governo, a ARSAL não está exercendo seu papel fiscalizador. Como fica?

O ex-deputado do PDT frisa que essa é uma informação importante, logo após criticar a lentidão do governo o qual faz parte.

Ronaldo Lessa finaliza ainda afirmando que vai buscar acomodar os “companheiros”. “O espaço que o PDT tem não terá a mesma coisa que tinha quando eu era deputado. Faremos o maior esforço para contemplar a nossa equipe e dar a resposta que Alagoas merece”. Segundo ele, é hora de colocar o pé no chão (se referindo ao partido): “(...) entender o momento que nós estamos vivendo. Só foram feitas sete nomeações, enquanto a Sedetur e a ARSAL estão todas as pessoas exoneradas. Espero que a partir de amanhã a relação com o governo modifique”.

Essas são as palavras do aliado de Renan Filho sobre a situação da ARSAL e sobre o novo papel dele e de seu partido no novo governo do MDB.

O vídeo de Lessa está nesse link: https://m.facebook.com/story.php?story_fbid=2270330409655326&id=492504607437924

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