Cortesia ao CM Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Piscicóloga Roseanne Albuquerque

Na mesma semana em que o ator Fábio Assunção veio a público falar sobre a música que leva o nome dele, fazendo referências aos seus problemas com a dependência química, o assunto foi trazido à tona também em Alagoas, pela Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), por meio da campanha “Dependência Química Não é Piada”.

Ao se pronunciar sobre o hit da banda La Fúria, Fábio Assunção criticou a glamourização do tema e anunciou um acordo jurídico com o autor da letra, Gabriel Bartz, para que todo o dinheiro arrecadado em direito autoral da música seja revertido para uma associação para dependentes químicos.

“Minha preocupação é com quem sente na pele a dor de ser quem é. Com as suas famílias”, disse, via redes sociais, o ator que também “protagoniza” um dos memes mais famosos do momento, usado quando as pessoas querem exagerar na bebida ou na farra.

 

A campanha lançada na segunda-feira passada (21) pela Seprev busca alertar justamente sobre isso: os perigos de fazer piadas com o assunto. Por meio da assessoria de Comunicação, os técnicos da pasta explicaram que os referidos memes poderiam até ser engraçados, “se a dependência química não fosse uma doença crônica, que agride profundamente a vida e a saúde física, emocional e psíquica da pessoa e de seus familiares”.

 Ainda por meio da assessoria, a psicóloga da Superintendência de Políticas sobre Drogas da Seprev, Julyanna Lima, destacou que a dependência química é um transtorno psiquiátrico e ter este quadro exposto de forma irônica pode, até, atrapalhar o tratamento.

“Esta prática de compartilhar piadas e memes é considerada uma forma de bullying. Fazer isso é desumano, cruel, e pode fazer com que essas pessoas tenham vergonha de assumir o seu problema, além de que pode fazer com que elas desacreditem e não procurem por tratamento”, disse a psicóloga, acrescentando que os memes compartilhados nas redes sociais são considerados cyberbullying, “um bullying virtual ainda mais difícil de ser esquecido ou abafado, aumentando o número de agressores”.

A campanha pode ser conferida nos perfis da Seprev, no Facebook (Seprev Alagoas) e no Instagram (@seprev.alagoas).

Respeito

Ouvida pelo CadaMinuto, a especialista em dependência química e psicóloga, Roseanne Albuquerque, fez coro às declarações de Julyanna Lima e destacou a importância da campanha, que visa dar visibilidade a doença e mostrar como ela realmente precisa ser encarada.

“A dependência química é uma doença crônica, incurável e fatal, reconhecida pela OMS, e deve ser respeitada como tal. Quando as pessoas praticam esse tipo de bullying, como fazer piadas e memes, tanto nas redes sociais como também publicamente, com chacotas em rodas de amigos, escolas, isso é totalmente negativo para o tratamento de um dependente químico, que precisa ser antes de tudo respeitado, visto como ser humano que tem uma doença, que precisa ser acompanhado e tratado”, afirmou.

Roseanne elogiou a atitude de Fábio Assunção de se posicionar sobre o assunto, mostrando que a doença não é uma piada: “Expor o dependente químico ao ridículo, expor uma doença é uma das formas mais destrutivas que o ser humano pode encontrar de faltar com o respeito ao outro”.

“É preciso entender que existem as compulsões, que as pessoas adoecem. Ninguém escolhe ser um dependente químico. Isso precisa ser respeitado e bem trabalhado em todos os âmbitos: social, nas escolas e nas redes sociais. Esse tema tem que ser bastante discutido, trazido para a mídia, para que as pessoas comecem a entender, a ter um conhecimento maior sobre a doença”, prosseguiu a psicóloga.

Ela também orientou acerca da importância das famílias dos dependentes químicos se informarem e acompanharem a doença, buscando fontes de ajuda e serviços, para poder dar maior qualidade de vida ao usuário e aos próprios familiares, que geralmente também são muito afetados pela doença: “O familiar se tornar co-dependente do dependente químico”.

A especialista finalizou destacando que os memes e piadas dificultam ainda a aceitação por parte do dependente acerca da doença e a busca por ajuda. “Raiva, culpa, medo e vergonha norteiam a dependência química. O dependente já tem essa vergonha e, exposto ao ridículo, passa a querer esconder a doença, ficando muito mais difícil procurar ajuda. Espero que a campanha ajude-os também a entenderem que adoeceram e têm direito a tratamento e a respeito”.