Reprodução Web Rs=w:350,h:263,i:true,cg:true,ft:cover?cache=true Ilustração
Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), os diagnósticos de câncer de próstata devem ultrapassar 68 mil este ano, sete mil casos a mais do que no ano passado, no país. Os números do Instituto Oncoguia, no entanto, são ainda mais alarmantes: um a cada nove homens terá a doença durante a vida e um a cada 41 morrerá em decorrência dela, o que torna o diagnóstico precoce tão importante.
No mês mundial de combate ao câncer de próstata, o urologista Mário Ronalsa, de Maceió, alerta também sobre a incidência de outras doenças urológicas masculinas que podem ser diagnosticadas precocemente em consultas e exames: “Poderíamos dar continuidade ao Novembro Azul... Todos os meses deviam ser ‘azuis’”, afirmou.
“Campanhas como essa são muito importantes porque, além de avaliarmos o câncer de próstata, que é o carro chefe da urologia, também precisamos avaliar outras enfermidades, com o câncer de pele, que tem alta incidência em Alagoas. Em 2007 a 2009 se amputava um pênis a cada 13 dias e meio devido à doença”, exemplificou o médico.
Ele citou ainda, entre os problemas comuns, a impotência sexual, que atinge mais de 52% dos brasileiros em algum grau, a incontinência urinária (mais de 25% dos homens) e os cálculos renais.
Diagnóstico precoce
Em relação ao câncer de próstata, Ronalsa destacou que, embora não haja prevenção, é possível detectá-lo no estágio inicial e realizar o tratamento com mais êxito: “Quando o câncer de próstata é descoberto na fase inicial, o paciente tem mais de 90% de chance de responder bem ao tratamento. O contrário também acontece, quando existe metástase, a doença em fase avançada, os resultados não são bons e o paciente termina falecendo”.
Segundo o urologista, no grupo de risco estão os mais velhos, negros, obesos e àqueles com histórico hereditário: “Quem tem o pai ou irmão que teve a doença tem muito mais chances de ter também a doença”, alertou, pontuando que, no início, os sintomas são os mesmos de algumas enfermidades benignas da próstata, como urinar muito à noite, algum esforço para urinar e urina com jato fino e entrecortado.
Vida salva
Há cerca de dois anos, recém-operado para a retirada de um tumor na próstata, o servidor público Ronaldo Farias, de 60 anos, comemorava, em pleno Novembro Azul, o fato de ter tido a vida salva graças à prevenção. Como agradecimento pela cura do câncer, ainda faz questão de compartilhar a experiência e alertar outros homens.
“Hoje a minha saúde está dez. Dois anos depois da descoberta da doença, faço todos os exames e o PSA (Antígeno Prostático Específico que aponta alterações na próstata) está baixo. Ainda tenho mais três anos de revisões pela frente, mas fui salvo graças a acompanhamento médico que fiz em virtude do meu histórico”, contou ele à reportagem do CadaMinuto.
O histórico ao qual se refere é genético e também afetivo, já que Ronaldo perdeu, em um intervalo de um ano, o pai e o sogro, para o câncer de próstata. “A prevenção foi essencial para salvar a minha vida. Sempre fiz exames preventivos de seis em seis meses e foi um deles que mostrou a progressão do PSA e a necessidade do exame de toque, que trouxe o diagnóstico”, contou.
Apenas um mês se passou entre o diagnóstico, a cirurgia para retirada do tumor e a constatação da inexistência de células malignas. “Estou curado e a possibilidade de retorno da doença é mínima. Foi graças a Deus e à prevenção, que não é nada perto do sofrimento gerado pelo câncer de próstata, que fez com que eu não tivesse o mesmo fim do meu pai, do meu sogro e de outros milhares de homens em todo o mundo”, concluiu.
Segundo mais comum
Ainda conforme dados do Inca, somente em Alagoas, 600 novos casos de câncer de próstata serão descobertos até o fim de 2018. No país, este é o segundo câncer mais comum entre homens, perdendo apenas para o câncer de pele.
Em geral, a doença é detectada pelos exames de sangue que medem o nível de PSA e pelo toque retal, também podendo ser necessária a realização de ressonâncias magnéticas e biópsias no local.
 
O PSA deve ser realizado anualmente por homens a partir de 50 anos de idade e a partir de 40 anos em casos de riscos mais elevados (àqueles com parentes em primeiro grau que tiveram a doença antes dos 65 anos).