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“Seguro é aquela coisa que a gente paga para não usar tão cedo. Mas me preocupo muito com minha mulher e meus filhos, em deixá-los amparados. E, para mim, é algo cultural. Meu pai tinha seguro e, até pela minha profissão, não poderia deixar de contratar o serviço”. A declaração é do aviador Carlos Alberto da Câmara Fialho Fernandes.

O seguro contratado por Fernandes é específico para profissões de risco como pilotos, delegados e mergulhadores. Ele conta que o ponto fundamental para se contratar um seguro de vida é a proteção deixada para a família. Além deste tipo de produto, o aviador possui outros seguros, também específicos para a sua profissão.

“Penso em proteger, em deixar minha esposa e meus filhos amparados. Penso muito nos meus familiares e quero deixar eles com algum conforto caso aconteça algo comigo”, destacou Fernandes.

A preocupação do aeronauta ainda é exceção por aqui. A cultura do seguro ainda não é tão difundida em Alagoas e o Sindicato dos corretores de seguros em Alagoas (Sincor – AL) trabalha para mudar esta realidade.

De acordo com Djaildo Almeida, diretor do Sincor – AL, a procura pelo seguro de vida aumentou em Alagoas, mas o mercado ainda tem muito que crescer. Ele reforça o que foi dito por Fernandes sobre o aspecto cultural na hora de se contratar um seguro.

“Quando comparamos o mercado brasileiro, em geral, ao americano, por exemplo, estamos atrás. A procura tem melhorado, mas ainda não está como desejamos. É algo cultural, que estamos tentando mudar localmente”, afirmou o diretor da entidade.

O recurso utilizado pelo Sindicato para tentar mudar esta realidade é a informação. Como conta Almeida, os corretores estão difundindo cada vez mais a cultura do seguro para que os clientes encontrem o produto que mais se enquadra no seu perfil.

“Muitas vezes, na maioria dos casos até, falta conhecimento. Nós focamos em falar sobre o investimento que é um seguro, ele dá uma proteção financeira. Quando falamos em seguro de vida, isso remete à morte, o que ainda é um tema delicado para a cultura nordestina. O que explicamos é que a renda precisa ser protegida, aí a coisa começa a mudar de figura”, explicou Almeida.

Além das informações repassadas, o corretor acrescenta que o fator confiança no profissional tem papel fundamental na hora da aquisição do produto. “Quando o cliente confia, ele já busca saber mais sobre seguro, porque sabe como o corretor trabalha”, disse Almeida,  acrescentando que muitos fazem o seguro de vida com o mesmo corretor com quem já contrataram o seguro do carro.

Sobre o perfil de quem procura o seguro de vida em Alagoas, Almeida explica que não há um público específico. Como há produtos para todas as faixas de renda, pessoas de todas as classes sociais adquirem este produto. No entanto, os maiores clientes estão nas classes A e B.

O corretor destaca que muitos dos clientes são autônomos ou profissionais liberais, sem renda fixa por mês. “Justamente por este fator, estas pessoas buscam proteger a estabilidade financeira da família. Seguro de vida é acessível para todos os públicos. Existe uma variação de acordo com a necessidade de cada cliente. Existem planos a partir de R$ 25, R$ 35. Seguro é investimento”, ressaltou.

Os beneficiários são indicados na apólice, ou seguindo o Código Civil metade do valor vai para o cônjuge e os outros 50%, para os filhos. Além disso, o contratante pode receber o valor em caso de invalidez.

De acordo com um levantamento publicado pela Universidade de Oxford, no ano passado, apenas 19% dos brasileiros têm algum tipo de seguro de vida contratado. Profissionais do setor avaliam que a baixa adesão acontece, sobretudo, porque os investimentos em longo prazo ainda não estão entre as maiores prioridades no planejamento do cidadão, no entanto essa visão começa a mudar.

Realizado em 11 países, o estudo da Universidade de Oxford também apontou que, apesar do percentual brasileiro inferior à média mundial de 32%, os entrevistados mostraram interesse pela contratação: 56% dos que opinaram disseram ter interesse em adquirir algum tipo de seguro.

A reportagem do Cada Minuto conversou o professor da Escola Nacional de Seguros, Bruno Kelly, que falou sobra disseminação do seguro de vida diante da visão do brasileiro. Confira no podcast abaixo a opinião do professor.

“De fato a gente ainda tem uma difusão muito pequena em relação a real função do seguro de vida. As pessoas ainda têm uma imagem errada de que este tipo de seguro tem que servir ou deve ter por objetivo deixar a viúva rica. Sem dúvida nenhuma isso não passa nem perto da função real do seguro. Antes de qualquer coisa, há uma função social que permite que a família passe por um processo de reestruturação financeira”, explicou Bruno Kelly.